Saturday, September 11, 2004

A comovente simplicidade 




O primeiro disco do quarteto norte-americano Red House Painters dá inicio a um respeitável catálogo de boas canções. Não é, provavelmente e apesar de tudo, o melhor album da banda mas é ele que tem o privilégio de abrir o pano para o espectáculo consequentemente inaugurado. E apesar de ser editado em Agosto (1992) traz consigo toda a melancolia inerente ao Inverno que não se fará rogado ao ouvir as preces destes senhores.

Down Colorful Hill é um album honesto e sem grandes rodeios. Pretende apenas comover-nos. Fazer-nos fechar os olhos sem nos deixar com acção para mais nada que não seja respirar. Mas tem também a faculdade de nos conduzir até às emoções dos nossos pensamentos ainda despertos e inabaláveis. Aqueles que duram ganhando cada vez mais consistência e os mesmos que tornam o nosso estado vegetativo em algo mentalmente descofortável mas que ao qual não conseguimos fujir se queremos continuar a respirar. Vamos assim escorregando no sofá que faz as honras de nos amparar neste precioso momento de introspecção que durará para além da última nota a ser ouvida pelos nossos ouvidos ainda dormentes. E quando finalmente nos levantamos para acender a luz ficamos com a sensação pesada de quem anda à chuva depois de um dia onde mais nada podia ter corrido mal.
É um disco impróprio para os dias em que sentimos que a chuva pára apenas com um largo sorriso. Muito próprio para quando chorar é o unico remédio para nos pôr a dormir.
Posted by Hello

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